Caminho do Itupava

    
    
    
    
    

:: Localização
:: Mapa Caminho
:: Roteiro Recomendado
:: Equipamentos
:: Camping
:: Estrutura Turística


:: Anhangava
:: Flora e Fauna
:: Calçamento
:: Casa do Ipiranga
:: Estrada de Ferro
:: Véu de Noiva
:: Garganta do Diabo
:: Santuário do Cadeado
:: Marumbi
:: Salto dos Macacos
:: Porto de Cima
:: Prainhas
:: Bóia Cross
:: Morretes
:: Barreado


:: Relatos Históricos
:: Estatísticas
:: Arqueologia








FOTOS
Zig Koch

TEXTOS
Julio Fiori

WEB
Hilton Benke








FOTOS
Zig Koch

TEXTOS
Julio Fiori

WEB
Hilton Benke
      O Caminho    |     Roteiro    |     Atrações    |     História    |     Contato    

História


 

De Caminho de Quereitiba, o primeiro a Caminho do Itupava, o último e definitivo, a trilha foi chamada com muitos nomes durante as diversas épocas, Caminho do Mar, de Paranaguá, do Cubatão, Caminho Real, Caminho Grande, de Morretes, de Coritiba. No início era designado principalmente por seu destino, depois passou a receber os topônimos dos lugares onde funcionaram as barreiras arrecadadoras de impostos; Porto de Cima, Morretes, Campina, Barro vermelho e finalmente Itupava.

A tradição credita sua descoberta a caçadores em perseguição a uma anta no alto da serra. Tomando ela a trilha na floresta foi perseguida e finalmente abatida nas proximidades do Rio Cubatão (Nhundiaquara). A vereda selvagem, alargada e retificada veio a tornar-se por dois séculos a mais importante via de comunicação entre o planalto e o litoral, exigindo grandes sacrifícios das populações que dele faziam uso no esforço de sua conservação.

No princípio limitava-se a transpor a serra, dividindo-se depois em dezenas de veredas mutáveis conforme a conveniência momentânea dos mineradores no planalto. Em 1649 estendeu-se até o núcleo colonial de "Mina das Pedras" implantado pelo General Eleodoro Ébano Pereira as margens do Ribeirão Yatuba (Atuba) em serventia aos moradores e finalmente durante o ano de 1653 alcançou o outeiro entre os Ribeirões Ivo e Belém juntamente com a nova povoação de Nossa Senhora da Luz.

O trajeto de aproximadamente 50 km iniciava-se no passo do Rio Belém (Passeio Público) em Curitiba e rumava a leste, na direção da passagem da serra. Atravessava extensos campos levemente ondulados e salpicados por escuros bosques de pinheiros, cruzando o Ribeirão Juvevê, o Rio Bacacheri e o Rio Atuba ao lado da Vilinha. Seguindo sempre a leste vencia as extensas várzeas do Rio Palmital e chegava às fazendas de criação na Borda do Campo ao fim de uma jornada, dentre elas a dos padres Jesuítas dividida ao meio pelo Rio Canguirí onde ofereciam acolhedora pousada, boa comida e farta forragem para os animais, depois cruzava um curto e difícil trecho de floresta denominada Mato Grosso da Borda do Campo e a seguir a Campina.

Ainda em campo aberto num local simplesmente denominado a "Encruzilhada" recebia pela direita o "Atalho de Piraquara", tão antigo quanto o próprio caminho, inicialmente o interligava apenas ao "Arraial Grande" mas depois foi sendo estendido até os campos dos Ambrósios no sul a aos campos do Iapó ao norte, passando pelo "Arraial Queimado". Pouco antes, no "Curral Falso" durante alguns períodos partia a esquerda o ramal da "Graciosa" marcado por uma grande cruz de madeira. Daí ao pé da serra a trilha vai-se tornando cada vez mais acidentada, subindo até a passagem no morro do Pão de Loth (1285m).

Na Boa Vista pode-se ver parte da planície já percorrida e o estreito caminho foi cortado profundamente na montanha. Mais adiante a paisagem volta a abrir-se mostrando as íngremes encostas do Marumbi e vencendo desníveis com inclinação de até 30% vai cruzar os ribeiros Ipiramirim, das Pederneiras, o rio Pirangussu (Ipiranga) e os dois córregos Itororom, o Extororom e o rio Guaricoca chegando então ao cume (meio) da serra. Finda aí a parte conservada pela população do planalto, subdividida em trechos entregues a responsabilidade de pessoas influentes da capital e grandes proprietários que organizados na autoridade militar convocavam operários para a execução dos serviços sob ameaça de prisão e pesadas multas.

Do cume ao sopé da serra o caminho contornava a montanha acompanhando o rio com passagens estreitas e irregulares que só permitiam o trânsito a pé quando em 1770 o Coronel Afonso Botelho alterou seu curso para permitir a passagem de seu exército e equipamentos bélicos em marcha para desbravar os campos do Tibagi e Guarapuava onde foram trucidados pelos índios. Escalou o morro escavando três grandes degraus na rocha, explodindo com pólvora um grande monólito no qual foi aberta uma passagem curva como a argola de um cadeado.

Mais abaixo vencia em zig-zags um declive superior a 40% até o "Descanso Grande" nas proximidades do Rio Itupava. Ali construíram cercados para o gado como também existiam no alto da serra, próximos aos Itororons. Havia muitos ranchos feitos com tabuado rústico e cobertura de palha da palmeira Guaricana para abrigo dos viajantes, de 1775 nos vem notícias da destruição criminosa do rancho no Piranguçu (Ipiranga), ainda ficaram notórios outros existentes no Morro Emendado, Piramirim e Guaricoca, sempre próximos à água.

No decorrer de sua longa história houve várias tentativas de taxação pelo uso da trilha com o estabelecimento de praças de pedágio constantemente desviadas pela abertura de picadas clandestinas. Em 1844 a "Barreira" saiu do Sítio do Barro Vermelho (na foz do Ipiranga) para instalar-se perto do Rodeio, as margens do Rio Itupava onde edificou-se uma grande casa de pedra com forro, assoalho e caixilharia de madeira, coberta com telhas cerâmicas e várias outras menores para abrigo do pelotão de guarda, além dos depósitos e moinhos de soque para erva-mate movidos a água.

Um desvio cruzava o rio e foi definitivamente incorporado ao trajeto, interligando mais facilmente as Prainhas no Rio Nhundiaquara onde já havia muitos engenhos e residências para em seguida terminar no povoado de Porto de Cima onde as cargas embarcavam em pirogas (leves canoas Carijós) para serem baldeadas abaixo de Morretes em embarcações maiores que seguiam a Paranaguá.


Relatos Históricos

:: Relato do Brigadeiro José Custódio de Sá e Faria.
:: Relato de Auguste de Saint`Hilaire.
:: Relato do Barão de Antonina.
:: Ordens de José Carlos Pereira de Almeida Torres.
:: Relato de Jean Baptiste Debret. (I)
:: Relato de Jean Baptiste Debret. (II)
:: Relato de Jean Baptiste Debret. (III)
:: Relato de Francisco Antonio de Oliveira.
:: Relato de Antônio Vieira dos Santos.
:: Relato de Antonio Ribeiro de Macedo.
:: Relato de Henrique de Beaurepaire Rohan.
:: Relato de Diogo Pinto de Azevedo Portugal.





AltaMontanha.com :: Página Inicial :: O Caminho :: Atrações
História :: Roteiro Recomendado :: Localização
Como Chegar :: Equipamentos :: Contato

® Portal AltaMontanha.com ::: Todos os direitos reservados