Caminho do Itupava

    
    
    
    
    

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Aspectos Arqueológicos


 

Almir Pontes Filho
Cristina Carla Kluppel
Julio Cezar Telles Thomaz


     A pesquisa histórica, com base nas documentações, correspondências oficiais, relatos, memórias de moradores e viandantes do Caminho do Itupava, contribui de forma significativa para elucidar sua origem, uso e declínio. O diálogo entre essa pesquisa e a investigação da cultura material realizados até o momento tem ampliado a compreensão de aspectos essenciais da organização espacial, relações sociais, econômicas e políticas, ocorridas ao longo de sua história. A partir deste momento o Itupava começa a ser tratado como o principal elemento de um complexo de evidências que compõe um sitio arqueológico linear de aproximadamente 20Km.

     Observa-se que o estudo do Caminho do Itupava sob o enfoque da ciência arqueológica vem sendo realizado desde 1988. Naquele momento, técnicos do então Instituto de Terras, Cartografia e Florestas (ITCF), atual Instituto Ambiental do Paraná (IAP), suscitaram a preocupação com o uso intensivo e sem planejamento de uma pequena porção calçada do Itupava (1,8Km), localizada dentro dos limites da Área Especial de Interesse Turística do Marumbi. Assim, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, realizou-se nessa porção o primeiro levantamento sistemático, tanto do seu calçamento quanto de suas ares laterais.

     O resultado deste trabalho foi a identificação e mapeamento de doze locais com evidencias arqueológicas situados as margens do Itupava, notadamente concentradas nas proximidades dos rios São João e Taquaral, vertente oriental da Serra do Mar. Esses vestígios, compostos por ruínas de construções de alvenaria de pedras com a presença de argamassa de cal de concha, representam restos de fundações, paredes, fornos, muros ou canais para condução de água(Paraná, 1988).

     Na década de 1990, alem das prospecções arqueológicas, que auxiliaram no reconhecimento de 10,2Km de calçamento na Serra do Mar, foram realizados levantamentos métrico-arquitetonicos de nove daquelas ruínas (Paraná, 1990). Os resultados até então obtidos, possibilitaram a identificação de atividades produtivas proto-industriais e administrativas, descritas anteriormente, como pertencendo as primeiras décadas do séc.XIX. Tendo a pesquisa histórica como suporte, evidenciou-se uma concentração de vários indícios de engenhos representando um núcleo de produção, de residências e, pelas características estruturais e situação especial em relação ao caminho, dos remanescentes da então Barreira do Itupava.

     Dando prosseguimento aos estudos, realizou-se um diagnóstico do estado de conservação do patrimônio arqueológico do Itupava. Além das prospecções sub-superficiais, que localizaram trechos inéditos de calçamento original, recobertos por sedimentos acumulados por um século de abandono, foram registradas novas estruturas edificadas em seu entorno, efetuadas coletas amostrais de material superficial, identificadas técnicas construtivas várias e delimitadas ares de influência, resultando em um zoneamento preliminar (CEPA/UFPr/Engemim, 2001). Concomitantemente, efetuou-se o levantamento topográfico que determinou 20.239,92 metros de caminho calçado e, com a implantação de quatro marcos geodésicos, o Itupava passou a fazer parte da cartografia oficial do Estado do Paraná (Paraná, 2001).

     Com largura média de 2,5 metros, o Itupava apresentou naquele momento, bom estado de conservação em cerca de 70% de seu traçado calçado, considerando-se o nível de estabilização do calçamento de pedras irregulares e de seus elementos estruturais originais como aterros, meio-fios e drenagens. No entanto, algumas ruínas, mostraram-se bastante danificadas pela ação antrópica recente (CEPA/UFPr/Engemim, 2001).

     Junto as ruínas, verificou-se intensa deposição de material arqueológico, em extensas áreas de acúmulo superficial e profundidade de 50cm em média. Desta forma, encontrou-se expressiva quantidade de material vítreo (garrafões, garrafas, frascos); de louças, com uma variedade decorativa, funcional e de composição da pasta (faianças, faianças finas, ironstone, porcelanas, grés e biscuit); assim como materiais em metal, produtos de olaria, cerâmica cabocla e a presença recorrente de ferraduras de muares ao longo de todo o Itupava (CEPA/UFPr/Engemim, 2001).

     Os trabalhos de campo, identificaram outros remanescentes importantes para o entendimento do Itupava. São locais de antigos pousos (sem vestígios estruturais), pátios de rodeios (para descanso e manejo das tropas), pequenos açudes e jazidas de retirada de pedras. Destaca-se também, um provável atracadouro em alvenaria de pedra localizado em Porto de Cima (Rio Nhundiaquara), possivelmente associado a um porto fluvial, caracterizando a transição modal do Caminho do Itupava. Da mesma forma, o detalhamento de um intrincado sistema de valos laterais não calçados, com extensão estimada de 6Km intermitentes, constitui outro importante elemento paisagístico e arqueológico. Tais valos, com dimensões que podem atingir 4 metros de profundidade por 3,5m de largura, evidenciam a possibilidade de terem constituído o traçado anterior ao calçamento, além de serem atribuídos à drenagem e/ou condução secundária de tropas.

     Além destes remanescentes, os dados coletados também contribuem, a priori, para a hipótese da origem pré-colonial do Itupava (CHMYZ, 2004:22). Apesar da existência de elementos que vem suscitar tal questionamento, como a toponímia indígena a ele associada, considera-se às tradições arqueológicas do Brasil Meridional, mesmo diante da existência, no entorno de seu traçado original no planalto, de sítios arqueológicos ceramistas da Tradição Itararé e aceramistas da Tradição Umbu. A contemporaneidade de alguns sítios indígenas pré-coloniais ou históricos com o Itupava deve ser entendida à luz de uma profunda revisão de dados disponíveis, levando-se em conta, inclusive, as dezenas de pesquisa realizadas na planície litorânea paranaense.

     Ressalta-se enfim, que a ocorrência de fragmentos e/ou peças inteiras formam um acervo de rica expressão plástica que compõem uma documentação insubstituível ao trazer à tona as várias facetas do cotidiano colonial, imperial e mesmo do início do período republicano. A coleta amostral efetuada em todas as fases da pesquisa, priorizou o material arqueológico superficial, principalmente aqueles na iminência de impacto. Esse acervo, com aproximadamente 400 peças, encontra-se sob a guarda do Museu Paranaense da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná e do Centro de Estudos e Pesquisas Arqueológicas/UFPr.






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